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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

TEMOS QUE TER A MENTE DE CRISTO...

David Martyn lloyd-Jones
“E o problema todo surge porque as pessoas, apesar de estarem no reino de Deus, continuam pensando da velha maneira, como cidadãos do velho reino, e disso decorrem graves dificuldades.
Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo…  (João 18:36)
É óbvio, então, em vista da natureza deste reino, que temos que aprender a pensar de uma nova maneira. Este é o grande problema da vida cristã, e este é, na verdade, o tema de todas as Epístolas do Novo Testamento. Todas estas Epístolas têm um só e grande objetivo, qual seja, ensinar-nos a pensar de maneira cristã. O fato de você ter nascido de novo não significa que, automaticamente, pensa como cristão. Se fosse assim, não teria ocorrido nenhum problema nas igrejas de Roma e de Corinto, nem em nenhuma outra parte. Na verdade, não haveria necessidade de nenhuma Epístola no Novo Testamento.
Pois bem, se vocês quiserem o relato clássico deste novo modo de pensar, poderão vê-lo na Primeira Epístola aos Coríntios, especialmente nos capítulos 2 e 3. O apóstolo apresenta todo o seu argumento relativo àquelas pessoas de Corinto desta interessante maneira: “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo… Porque ainda sois carnais: pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissenções, não sois porventura carnais e não andais segundo os homens?” (I Co 3.1,3). Efetivamente Paulo está dizendo: “Apesar de vocês serem cristãos, cristãos verdadeiros, renascidos, continuam pensando como costumavam pensar; continuam penando com a velha sabedoria do mundo. Não percebem que estão numa nova esfera aqui”. Pouco antes, nessa Epístola, ele escreve: “Porventura, não tornou Deus louca a sabedoria deste mundo?” (I Co 1:20). A atitude geral dos cristãos de Corinto é prova do fato de que eles não espiritualizaram o pensamento deles, não o cristianizaram, não se aperceberam da natureza do Reino ao qual pertencem. Mas não devem continuar pensando em termos do mundo.
Todos os problemas ocorridos em Corinto surgem realmente dessa única falha. Tomem os diferentes problemas de que trata o apóstolo nessa grande Epístola, e verão que todos recaem nessa questão de pensamento errôneo. Se tão-somente pensassem de outra maneira, de maneira cristã, os cristãos de Corinto jamais teriam entrado em todas as dificuldades em que entraram. Vejam como eles vão em busca da lei uns contra os outros nos tribunais públicos. Paulo diz: Vocês não percebem o que estão fazendo, não percebem que são cidadãos do reino de Deus, que virá o dia em que vocês vão julgar os anjos (I Co 6:1-3).
O grande problema da vida cristã sempre é que nós temos que reaprender a pensar. O velho modo de pensar não tem nenhum valor aqui; estamos numa esfera inteiramente nova. Por isso o apostolo diz, no fim de I Coríntios, capítulo 2: “Nós temos a mente de Cristo” (V.16). Precisamos desta mente, e temos  que aprender a cultivá-la e a desenvolvê-la, e a deixar que ela governe o nosso pensamento em todos esses diversos problemas e dificuldades.”
David Martyn lloyd-Jones em:
“Exposição sobre Romanos 14:1-17
- Liberdade e Consciência”
S. Paulo, PES, pp. 272, 273
Tradução de Odayr Olivetti